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Glossário

O vocabulário do autismo, sem juridiquês

Do laudo à disregulação, cada termo que aparece nas consultas, laudos e na escola — explicado em linguagem clara e respeitosa. Feito para famílias que estão começando a jornada.

Conceitos

TEA (Transtorno do Espectro Autista)

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento presente desde a primeira infância, que influencia a forma como a pessoa se comunica, interage e percebe o mundo. É chamado de espectro porque se manifesta de maneiras muito diferentes de uma pessoa para outra — não existe um único jeito de ser autista.

Veja também:Neurodiversidade / NeurodivergênciaNíveis de apoioComorbidade

Neurodiversidade / Neurodivergência

Neurodiversidade é a noção de que cérebros funcionam de formas diferentes e que isso é natural — assim como a biodiversidade. Uma pessoa neurodivergente tem um funcionamento que foge do padrão mais comum (o neurotípico). O termo desloca o olhar de 'defeito a corrigir' para 'diferença a compreender e apoiar'.

Veja também:TEAMascaramento

Diagnóstico

Níveis de apoio

O DSM-5 descreve três níveis de apoio no autismo: nível 1 (exige apoio), nível 2 (apoio substancial) e nível 3 (apoio muito substancial). É uma medida de suporte necessário em determinado momento, que pode mudar com o contexto. Preferimos falar em necessidade de apoio a rótulos como 'leve' ou 'grave', que achatam a pessoa.

Veja também:TEACID e DSM-5

CID e DSM-5

A CID (Classificação Internacional de Doenças, da OMS) e o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico) são as referências que profissionais usam para diagnosticar o TEA. Na CID-11, o autismo aparece com o código 6A02. Guardar o laudo e os códigos ajuda no acesso a direitos, terapias e adaptações escolares.

Veja também:Níveis de apoioLaudo diagnóstico

Laudo diagnóstico

O laudo é o documento que registra o diagnóstico de TEA, feito por médico (neuropediatra ou psiquiatra) muitas vezes com apoio de uma equipe multidisciplinar. Ele costuma ser exigido para carteira de identificação (CIPTEA), inclusão escolar, plano de saúde e terapias. Manter o laudo organizado e acessível evita retrabalho a cada nova consulta.

Veja também:CID e DSM-5Equipe multidisciplinar

Comorbidade

É comum que o autismo venha acompanhado de outras condições — TDAH, ansiedade, epilepsia, alterações do sono, questões gastrointestinais. Reconhecê-las é importante porque muitas têm tratamento próprio e afetam o bem-estar. Anotar sinais e padrões ajuda a equipe a investigar.

Veja também:TEADiário ABC

Comunicação

Ecolalia

Ecolalia é a repetição de falas ouvidas, na hora (imediata) ou depois (tardia), como repetir falas de desenhos. Pode ser uma forma de comunicação, de autorregulação ou um caminho para a linguagem. Em vez de corrigir, vale observar a função: muitas vezes a criança está tentando dizer algo com as palavras que tem.

Veja também:CAAHiperfoco

CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa)

A CAA reúne recursos que ajudam a pessoa a se comunicar quando a fala não dá conta sozinha: pranchas com figuras, sistemas como o PECS, gestos e aplicativos de voz. Usar CAA não atrapalha o desenvolvimento da fala — pelo contrário, dá à criança uma forma de se expressar e reduz frustração.

Veja também:EcolaliaFonoaudiologia

Sensorial

Sobrecarga sensorial

A sobrecarga sensorial acontece quando o ambiente traz mais estímulos do que o sistema nervoso consegue filtrar — barulho, luzes fortes, multidão, cheiros. Ela pode levar à disregulação. Reconhecer os sinais iniciais e reduzir estímulos (fone abafador, um canto calmo, sair do ambiente) ajuda a prevenir crises.

Veja também:DisregulaçãoIntegração sensorialGatilho sensorial

Gatilho sensorial

Um gatilho é o estímulo que, para aquela criança, tende a disparar desconforto — um som agudo, uma etiqueta de roupa, uma textura de alimento. Mapear gatilhos ao longo do tempo (o que aconteceu antes da crise?) é uma das informações mais úteis para prevenir e para orientar terapeutas.

Veja também:Sobrecarga sensorialDiário ABC

Seletividade alimentar

Muitas crianças autistas aceitam um leque reduzido de alimentos, frequentemente por questões sensoriais (textura, cor, cheiro) e não por 'birra'. A seletividade pede paciência e, quando afeta a nutrição, apoio de fono e nutricionista. Registrar o que é aceito e recusado ajuda a equipe a construir estratégias.

Veja também:Integração sensorialEquipe multidisciplinar

Integração sensorial

Integração sensorial é como o cérebro recebe, organiza e responde às informações dos sentidos. Quando esse processamento é atípico, sons, toques ou movimentos podem ser vividos de forma muito intensa (ou pouco perceptível). A terapia ocupacional trabalha esse processamento com atividades planejadas.

Veja também:Terapia OcupacionalSobrecarga sensorial

Comportamento

Estereotipia (stimming)

Estereotipias, também chamadas de stimming, são comportamentos repetitivos como balançar o corpo, agitar as mãos, girar objetos ou repetir sons. Longe de serem 'manias' a eliminar, costumam ter função: ajudam a pessoa autista a se acalmar, se concentrar ou lidar com excesso de estímulos. O foco não é reprimir, e sim garantir segurança e entender o que a criança está comunicando.

Veja também:DisregulaçãoSobrecarga sensorial

Hiperfoco

O hiperfoco é a concentração intensa em um assunto de interesse — dinossauros, trens, mapas, números. Pode ser um potente aliado do aprendizado e do vínculo: partir do interesse da criança costuma abrir portas para comunicação, motivação e novas habilidades. É mais oportunidade do que problema.

Veja também:EcolaliaRotina visual

Disregulação (meltdown e shutdown)

Disregulação é a perda temporária da capacidade de se autorregular diante de excesso de estímulos ou emoções. O meltdown é mais visível (choro, gritos, movimento intenso); o shutdown é o oposto — a pessoa se retrai, silencia, parece 'desligar'. Nenhum dos dois é birra ou manipulação: são respostas involuntárias que pedem acolhimento, não punição.

Veja também:Sobrecarga sensorialEstereotipiaDiário ABC

Mascaramento (masking)

Mascaramento é o esforço, consciente ou não, de disfarçar traços autistas para se adaptar a ambientes sociais — imitar expressões, segurar stims, forçar contato visual. Pode passar despercebido, mas é exaustivo e está associado a ansiedade e esgotamento. Ambientes acolhedores reduzem a necessidade de mascarar.

Veja também:Neurodiversidade / NeurodivergênciaDisregulação

Diário ABC (Antecedente–Comportamento–Consequência)

O diário ABC é uma forma estruturada de registrar situações: o Antecedente (o que aconteceu antes), o Comportamento observado e a Consequência (o que veio depois). Com o tempo, ele revela padrões e gatilhos que não apareceriam na memória. É uma das informações mais valiosas para levar às terapias — e o Tealu ajuda a manter esse registro organizado.

Veja também:Gatilho sensorialDisregulaçãoComorbidade

Terapias

ABA (Análise do Comportamento Aplicada)

A ABA é uma abordagem que usa princípios da análise do comportamento para ensinar habilidades e apoiar a autonomia, sempre de forma individualizada. Práticas atuais e respeitosas valorizam o consentimento, o bem-estar e os interesses da criança, e evitam a supressão de comportamentos que têm função (como o stimming). Vale conversar com a equipe sobre a filosofia adotada.

Veja também:Terapia OcupacionalFonoaudiologiaEquipe multidisciplinar

Terapia Ocupacional (TO)

A terapia ocupacional apoia a criança nas atividades cotidianas — vestir-se, alimentar-se, brincar, escrever — e frequentemente atua sobre a integração sensorial. O objetivo é ampliar a participação e a independência, respeitando o ritmo de cada um.

Veja também:Integração sensorialABA

Fonoaudiologia

A fonoaudiologia trabalha a comunicação em sentido amplo: linguagem, fala, compreensão e também questões alimentares ligadas à oralidade. Para muitas crianças autistas, inclui o uso de CAA. É uma das terapias mais frequentes no acompanhamento do TEA.

Veja também:CAASeletividade alimentar

Equipe multidisciplinar

O acompanhamento do autismo costuma envolver vários profissionais — neuropediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, entre outros. Quando eles compartilham informação, o cuidado fica mais coerente. Ter um histórico organizado que todos possam consultar evita que cada consulta comece do zero.

Veja também:ABATerapia OcupacionalFonoaudiologia

Escola

Rotina visual

A rotina visual usa figuras ou fotos para mostrar o que vem a seguir — acordar, escola, almoço, terapia. A previsibilidade acalma: saber o que esperar reduz a ansiedade diante de transições. É uma das estratégias mais simples e eficazes para o dia a dia.

Veja também:HiperfocoPEI

PEI (Plano Educacional Individualizado)

O PEI é um plano feito pela escola, com a família, que define objetivos, adaptações e apoios para o estudante ao longo do ano. Ele orienta professores e mediadores e garante que a inclusão seja concreta, e não só de fachada. Registrar evoluções ajuda a revisá-lo periodicamente.

Veja também:AEERotina visual

AEE (Atendimento Educacional Especializado)

O AEE é um serviço gratuito na rede pública (e presente em muitas escolas privadas) que oferece apoio complementar — sala de recursos, materiais adaptados, mediador. É um direito e trabalha em conjunto com o PEI para viabilizar a inclusão.

Veja também:PEI

Este glossário é informativo e não substitui a avaliação de médicos, terapeutas ou profissionais de saúde. Cada criança é única — use estes conceitos como ponto de partida para conversas com a sua equipe.

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